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MPE Impugna Candidatura de Júnior da Lucinha às Eleições de 2026
O Ministério Público Eleitoral (MPE) do Rio de Janeiro protocolou uma ação para impugnar a candidatura de Tadeu Amorim de Barros Júnior, conhecido como Júnior da Lucinha, que busca uma vaga na Assembleia Legislativa do estado pelo PSD nas eleições de 2026. A ação foi apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) e levanta questões sobre a continuidade de um suposto domínio político familiar em áreas da Zona Oeste do Rio.
A Ação do MPE e suas Alegações
O MPE sustenta que a candidatura de Júnior da Lucinha é uma extensão da influência política de sua mãe, a deputada estadual Lucinha, atualmente envolvida em uma ação penal relacionada à Operação Dinastia II. As acusações contra Lucinha incluem a formação de uma milícia privada e a sua ligação com o grupo conhecido como Bonde do Zinho, que opera na região.
Análise dos Votos e Padrões Eleitorais
Um dos principais pontos de argumentação do MPE refere-se à similaridade na distribuição dos votos entre Lucinha e Júnior. Em 2022, Lucinha obteve 89,9% de seus votos em Santa Cruz e Campo Grande, enquanto Júnior alcançou 89,1% em 2024 nas mesmas áreas. Essa coincidência levantou suspeitas sobre a legitimidade das bases eleitorais dos dois.
Votações Atípicas
O TRE-RJ classificou como 'extremamente atípico' o padrão de votação da família em 36 locais, sugerindo uma organização sistemática para garantir a continuidade do 'espólio político' familiar. Um exemplo marcante dessa disparidade foi a Escola Municipal Lourdes de Lima Rocha, onde a família recebeu 48,1% dos votos, superando em mais de dez vezes qualquer outro concorrente.
Denúncias e Ações de Intimidação
A ação do MPE também menciona a atuação de Leonardo de Oliveira Silva, descrito como um líder comunitário vinculado à família de Lucinha. Relatórios indicam que Leonardo tem se envolvido em campanhas eleitorais na Zona Oeste, acompanhando a deputada e seu filho em eventos públicos. Além disso, denúncias de intimidação eleitoral foram recebidas, relatando que familiares de milicianos teriam pressionado eleitores a se mobilizarem em favor de Júnior.
Práticas de Campanha Questionáveis
Episódios de intimidação e a presença de homens armados em eventos de campanha foram destacados na ação. Além disso, há alegações de que teriam sido pagos R$ 8 mil à milícia local para garantir a exclusividade da campanha na região, junto com relatos de cobranças mensais de R$ 120 a moradores.
Relação Familiar e Continuidade Política
Apesar das alegações, o MPE ressalta que a relação familiar entre Júnior e Lucinha, por si só, não sustenta a impugnação. A Procuradoria afirma que a análise deve considerar outros elementos que indiquem uma continuidade na atuação política da organização criminosa. Júnior é visto como um 'substituto' político após o impedimento de sua mãe de concorrer à reeleição.
Próximos Passos no Processo Eleitoral
A ação do MPE requer que Júnior da Lucinha seja notificado para apresentar sua defesa no prazo estipulado. A Procuradoria também pede a coleta de provas que possam corroborar as alegações feitas. O caso levanta questões importantes sobre a ética nas eleições e a influência de grupos políticos familiares no Rio de Janeiro, refletindo o cenário complexo da política local.