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Decisão Judicial Obriga Águas do Rio a Restituir R$ 400 Milhões à Cedae
Uma recente decisão da juíza Roseli Nalin, da 15ª Vara da Fazenda Pública do Rio de Janeiro, determinou que as concessionárias Águas do Rio 1 e Águas do Rio 4 devolvam mais de R$ 400 milhões para a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). O valor refere-se ao desconto de 24,13% aplicado nas faturas de fornecimento de água no atacado e deverá ser depositado em juízo em até 30 dias.
O Contexto da Decisão Judicial
A decisão, datada de 6 de agosto, revoga uma tutela de urgência que havia garantido o desconto às concessionárias. Com isso, as empresas são obrigadas a cobrar o valor integral das faturas, além de proibir a aplicação de novos descontos não acordados. O desconto controverso foi inicialmente autorizado para garantir a validade de um Termo de Conciliação assinado em 2025, prejudicial à Cedae.
Motivações e Implicações da Decisão
A juíza identificou falhas significativas no processo que levou à assinatura do termo. De acordo com a petição da Cedae, o acordo não foi discutido pelo Conselho de Administração da empresa e careceu de parecer jurídico e estudos econômicos. Além disso, a reunião que decidiu sobre o desconto foi realizada de forma extraordinária e noturna, o que levantou suspeitas sobre a sua legitimidade.
Repercussões Financeiras
A Cedae alertou que a suspensão do acordo poderia resultar em um prejuízo de até R$ 25 bilhões até 2050. O desconto começou a ser aplicado em dezembro de 2025 e, em apenas oito meses, já havia gerado uma redução de cerca de R$ 378 milhões, sem considerar a correção monetária.
A Reação da Cedae e a Investigação em Curso
O presidente da Cedae, Rafael Rolim, declarou que o processo de elaboração do acordo ocorreu de maneira opaca, principalmente sob a supervisão do então governador Cláudio Castro. A Comissão de Ética da empresa também se manifestou contra o acordo, afirmando que ele foi feito sem a devida participação da estatal em reuniões anteriores.
Posicionamentos de Entidades e Órgãos Públicos
O Tribunal de Contas do Estado e a Procuradoria-Geral do Estado se posicionaram contra o acordo, reforçando as irregularidades identificadas. A apuração foi determinada pelo governador em exercício, Ricardo Couto, que busca esclarecer a situação e garantir a transparência necessária em processos que envolvem recursos públicos.
Conclusão
Essa decisão judicial representa um importante marco na gestão de recursos públicos e na relação entre concessionárias e empresas estatais. A devolução dos valores à Cedae não apenas reverte um desconto controverso, mas também abre caminho para uma maior transparência e responsabilidade na administração dos serviços públicos de água e esgoto no estado do Rio de Janeiro.