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Casas Bahia fecha quase 300 lojas em crise sem precedentes

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A Casas Bahia, uma das redes de varejo mais tradicionais do Brasil, anunciou o fechamento de 298 lojas em um drástico movimento que representa quase 30% de suas unidades no país. A decisão, que ocorreu nos dias 13 e 14 de outubro de 2023, resulta em cerca de 1,9 mil demissões imediatas, com projeções de que esse número possa aumentar para até 3 mil funcionários afetados.

Impacto nas operações e no mercado

O Rio de Janeiro será um dos estados mais impactados, com a possibilidade de fechamento de até 80 lojas. Inicialmente, a previsão era que 30 unidades fossem encerradas, mas um encontro recente com a diretoria elevou essa estimativa. A empresa ainda não confirmou oficialmente os números exatos das lojas que fecharão no estado.

Desvalorização das ações

O cenário se agrava ainda mais com a desvalorização das ações da Casas Bahia (BHIA3) na Bolsa de Valores. Na última sexta-feira, os papéis foram negociados a R$ 0,64, representando uma queda de 1,54% em relação ao dia anterior. Nos últimos meses, as ações perderam cerca de 80% de seu valor, evidenciando a fragilidade financeira da companhia.

Prejuízos crescentes e reestruturação

A situação financeira da empresa mostra-se alarmante. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia reportou um prejuízo de R$ 1,06 bilhão, um aumento significativo em relação ao prejuízo de R$ 408 milhões no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o prejuízo acumulado totalizou cerca de R$ 3 bilhões. Essa crise é um reflexo de uma série de desafios enfrentados pelo varejo físico, acentuados pela pandemia e pela crescente concorrência do comércio eletrônico.

Mudanças na estratégia de vendas

Para contornar a crise, a empresa está investindo em suas operações online, onde as vendas digitais cresceram 26% no primeiro trimestre de 2026, enquanto as vendas em lojas físicas caíram 1,8%. Apesar do cenário desafiador, a receita bruta da companhia aumentou 6,4%, alcançando R$ 8,8 bilhões, com uma margem bruta de 30,3%.

Histórico de recuperação e planos futuros

A trajetória da Casas Bahia inclui um processo de recuperação extrajudicial iniciado em 2024, envolvendo R$ 4 bilhões em dívidas. A empresa tem buscado reestruturar suas obrigações financeiras, antecipando a conversão de R$ 1,56 bilhão em títulos e renegociando prazos de pagamento com fornecedores. O fechamento das lojas e a redução de pessoal fazem parte de um plano abrangente para cortar custos e tentar reverter a situação crítica.

Expectativas para o próximo balanço

A divulgação do balanço do segundo trimestre, que estava programada para o dia 12 de outubro, foi adiada para o dia 17, quando a empresa deverá apresentar um novo plano de reestruturação aos analistas.

A situação da Casas Bahia é um indicador preocupante não apenas para a empresa, mas para todo o setor varejista brasileiro, que enfrenta desafios constantes em um ambiente econômico volátil. A capacidade de adaptação e inovação será crucial para a sobrevivência das empresas nesse cenário.

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